domingo, 28 de fevereiro de 2010

RESTA-NOS ESPERAR...

Este princípio do ano tem sido movimentado. A agitação política, de tão arrastada e repetida que é, já caiu na banalidade do quotidiano: escutas sucedem-se a escutas, a que se sucedem insinuações desmentidas por declarações e uma ou duas demissões, para se sacudir água dos capotes e nos distrairmos de alguns ratos que andam por aí com os rabos de fora. Para agravar tudo isto e, como casa onde não há pão todos ralham e ninguém tem razão, a roupa suja tem-se lavado não em casa, como aconselha o ditado, mas no parlamento e na praça pública em atitudes que fazem lembrar que em tempo de guerra não se limpam armas. Mas como quem muito fala pouco acerta e quem muito jura é quem mais mente, com a verdade nos enganam.
Tudo quanto a que estamos sentados a assistir é o desbobinar de uma cadeia com muitos elos de “amizades” que se emaranhou de tal forma que passou a uma espécie de rede de que poucos escapam. Porque os amigos são para as ocasiões e quem vê cara não vê corações, alguns políticos e seus apaniguados, aproveitaram-se dos que não sabiam nem pensavam que cada homem tem o seu preço e que a ocasião faz o ladrão, aliciando-os para determinados trabalhinhos. Como a ambição cerra o coração, os aliciados não suspeitaram do estado dos dentes do cavalo que lhes estava a ser oferecido, nem pararam para pensar que amigos, amigos, negócios à parte e assim preparam a cama onde se deitaram. Lá subir, subiram, mas quanto maior a altura, maior a queda. Obrigados ao lema de que o segredo é alma do negócio, ou seja, se sabes o que eu sei cala-te que eu me calarei, nem se lembrarar que se as palavras voam a escrita fica. E ficaram nos telemóveis e dali saltaram para certidões. Muitos arvoram que estão a dizer a verdade. Só que cada qual sabe onde lhe aperta o sapato e, por isso, quem diz a verdade perde a amizade dos que lhe fizeram promessas. Quem tem capa sempre escapa, resta agora saber quem é ou são os verdadeiros embuçados.
Toda este “embrulho” que temos presenciado e discutido tem-nos posto a duvidar de uma classe que, por inerência dos seus deveres, tem a obrigação de ser um bom exemplo. Por isso estamos todos expectantes e de pé atrás. Cautela e caldos de galinha nunca fizeram mal a ninguém. Há que estarmos vigilantes e unirmo-nos porque a união faz a força. Resta-nos esperar que depois deste mal surjam os remédios. A Esperança é sempre a última a perder.

(publicar em Matosinhos Hoje de 2.2.2010)

AINDA ROSA LOBATO DE FARIA

Uma das minhas filhas fez-me chegar este texto, um dos últimos escritos desta senhora. Pelo que ele me tocou, aqui o partilho


AS MAZELAS

(de Rosa Lobato Faria)

Aos 77 anos, como é natural, aparecem-nos todas as mazelas. Insignificâncias, uma dor aqui, uma dor ali, nas costas, na perna, na cabeça, uma pequena coisa na pele, na unha, no olho. Não ligo nenhuma. Porque a minha pior mazela é não acreditar que tenho 77 anos. Eu bem me farto de dizer aos quatro ventos a minha idade para ver se interiorizo esse facto, mas, por dentro, estou na casa dos trinta, vá lá quarenta, e não passo daí. Setenta e sete anos? Que loucura!
Tenho sempre tanta coisa para fazer, para acabar, para ler, para escrever, tanto lugar para visitar. Tanto Museu para ver e depois as mazelas - aí! -, mas vou, porque tenho trinta anos e, evidentemente, tenho que ir. Não tenho a noção de ser uma senhora velha. Digo "estava lá uma velhota", ou "imaginem que uma velha"... Estou a falar de pessoas provavelmente mais novas do que eu, mas não me enxergo. Até quando irá durar esta idade subjectiva que não me deixa envelhecer tranquilamente? Só quando me oferecem o braço (já caí na rua e parti a perna, mas nem assim...), quando não me dirigem galanteios(que estranho!), acordo para a realidade, aí, é verdade, tenho 77 anos, que maçada... Ultimamente, tive (ou tenho, ainda não percebi) cancro de mama. Como acho que Deus não me ia mandar esta doença só para me chatear, abri uma campanha de sensibilização (televisão incluída), para que as mulheres façam mamografias. Transformei a porcaria da doença numa coisa positiva. Passei os trâmites habituais operação, radioterapia, etc. tudo pacífico. Ainda por cima o médico disse-me que era pouco provável que o cancro me matasse, porque, na minha idade, as células já não são o que eram...Aí, sim?
Tenho 77 anos, que alegria!

PublicadO em Women’sPractice News

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

NÃO FIQUEM VAIDOSAS, MENINAS, MAS PODEM ABANAR AS PENAS

Encontrar um «bando» de tão simpáticas «Gaivotas» foi um privilégio. Gaivotas lembram-me o Mar, uma das minhas paixões, a todas deste bando dedico esta poesia:


Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes..
e calma

(Sophia de Mello Breyner Andresen)

JA

SONHAR

Hoje sonhei contigo.
Não no sentido de desejar
Ou mesmo de imaginar.
Sonhei mesmo
No sentido literal do termo.
Não sei contar o que vi.
Raramente me lembro
Do que sonho,
Mas sei sempre com quem sonho.
Por isso sei que estavas lá
E falaste comigo.
O quê? Não sei,
Porque também esqueço as palavras
No lusco-fusco do sono.
E que interessa
O que disseste?
Nem sequer te respondi.
O que nunca perco
É o sentir da presença.
E a tua estava ali.
Percebi-o na forma de despertar
Devagar
Bem relaxada
Envolvida no calor
Que o teu corpo me transmite.
Sonhar deste modo tão doce
É como acordar do amor.

SS

SEM TÍTULO MAS COM DESTINO

De repente
Despertaste

E as tuas mãos abriram-se
Como o lótus
E de ti saíram cores
Iguais as que usas sobre as telas
E afectos
Dos que distribuis
Por aqueles a quem amas
E paixão
Muita paixão
Aquele sentir íntimo
Que te agarra
E que faz de ti
A poetisa da pintura
E a pintora das palavras.

GM

PARA JA DE MC

Sou um pouco
De fonte
De brisa
De mar
De flor
Meu nome
Ai,meu nome
Da fonte tirei a frescura
Da brisa a ternura
Do mar a viagem
Da flor a contemplação
Meu nome
Será
Aquele
Que em ti fica


MC

( eu prometi,aqui estou ao anoitecer agradecendo a ternura)

25 de Fevereiro de 2010 22:19

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

PARA A MC

Com o meu muito obrigado deixo para MC esta poesia:


MADRIGAL

Tu já tinhas um nome, e eu

não sei se eras fonte ou brisa

ou mar ou flor.

Nos meus versos chamar-te-ei

Amor...


(Eugénio de Andrade)

JA



UM GAVIÃO MISTERIOSO

Tem aparecido por estas páginas de gaivotas um certo gavião anónimo que muito tem intrigado o nosso bando. Palavroso, insinuante, gourmet assumido que generosamente connosco partilha as suas receitas e sugere os vinhos apropriados, é motivo de grande curiosidade e conversas entre nós. Questionamo-nos sobre os locais onde voa, onde petisca e sobretudo sobre o seu aspecto que fantasiamos em função da simpatia que nos revela. Hoje procuramos saber um pouco mais sobre os gaviões para tentarmos fazer um desenho mental daquele que nos assedia. Consultada a Wikipédia, ficamos com o problema agravado… É que os gaviões são tantos!!!
Por favor, gavião visitante, dê-nos uma ajuda e da lista abaixo indique-nos, pelo menos, a família a que pertence

• Gavião-asa-de-telha (Parabuteo unicinctus)
• Gavião-azul (Leucopternis schistacea)
• Gavião-belo (Busarellus nigricollis)
• Gavião-bico-de-gancho (Chondrohierax uncinatus)
• Gavião-bombachina (Harpagus diodon)
• Gavião-bombachinha-grande (Accipiter bicolor)
• Gavião-branco (Leucopternis albicollis)
• Gavião-caboclo (Buteogallus meridionalis)
• Gavião-caçador (Buteo albonotatus)
• Gavião-caburé (Micrastur ruficollis)
• Gavião-caipira - ver Gavião-preto
• Gavião-caracoleiro (Chondrohierax uncinatus)
• Gavião-caramujeiro (Rostrhamus sociabilis)
• Gavião-caranguejeiro (Buteogallus aequinoctialis)
• Gavião-caranguejeiro-negro (Buteogallus anthracinus)
• Gavião-carijó (Buteo magnirostris)
• Gavião-carrapateiro (Milvago chimachima)
• Gavião-cinzento (Circus cinereus)
• Gavião-da-europa (Acipiter nisus)
• Gavião-de-anta (Daptrius ater)
• Gavião-de-asa-larga (Buteo platypterus)
• Gavião-de-bico-de-gancho (Chondrohierax uncinatus)
• Gavião-de-cabeça-cinza (Leptodon cayanensis)
• Gavião-de-cara-preta (Leucopternis melanops)
• Gavião-de-cauda-curta (Buteo brachyurus)
• Gavião-de-coleira (Falco femoralis)
• Gavião-de-costas-vermelhas (Buteo polyosoma)
• Gavião-de-pé-curto (Accipiter brevipes)
• Gavião-de-pescoço-branco (Leptodon forbesi), endémico do Brasil
• Gavião-de-rabadilha-branca (Buteo leucorrhous)
• Gavião-de-rabo-branco (Buteo albicaudatus)
• Gavião-de-sobre-branco (Buteo leucorrhous)
• Gavião-de-sobrancelha (Leucopternis kuhli)
• Gavião-do-igapo (Rostrhamus hamatus)
• Gavião-do-mangue (Circus buffoni)
• Gavião-do-mississipi (Ictinia mississippiensis)
• Gavião-miudinho (Accipiter superciliosus)
• Gavião-miúdo (Accipiter erythronemius)
• Gavião-papa-gafanhoto (Buteo swainsoni)
• Gavião-pato (Spizastur melanoleucus)
• Gavião-pedrês (Asturina nitida)
• Gavião-de-penacho ou Inhapacanim (Spizaetus ornatus)
• Gavião-pega-macaco ou Urutaurana (Spizaetus tyrannus)
• Gavião-peneira (Elanus leucurus)
• Gavião-pernilongo (Geranospiza caerulescens)
• Gavião-pombo-grande (Leucopternis polionotus)
• Gavião-pombo-pequeno (Leucopternis lacernulatus), endémico do Brasil
• Gavião-preto (Buteogallus urubitinga)
• Gavião-rapina (Harpagus bidentatus)
• Gavião-sauveiro (Ictinia plumbea)
• Gavião-shikra (Accipiter badius)
• Gavião-tesoura (Elanoides forficatus)
• Gaviãozinho (Gampsonyx swainsonii)
• Gavião-real (Harpia harpyja)

Com toda a paciência aguardaremos a sua resposta. E, se possível, uma foto, mesmo em contra-luz. Mas de preferência de asas abertas para apreciarmos o seu voo

Um abraço das suas mais fiéis leitoras

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

VAMOS TER FÉ, AJUDAR E A MADEIRA IRÁ FICAR AINDA MAIS BONITA

Sigamos a sugestão da Dra. Helena Sacadura Cabral: este ano vamos passar as férias na Madeira. Todos precisamos de ajudar e isso será a maior ajuda

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

OS CONVENCIDOS DA VIDA

Todos os dias os encontro. Evito-os. Às vezes sou obrigado a escutá-los, a dialogar com eles. Já não me confrangem. Contam-me vitórias. Querem vencer, querem, convencidos, convencer. Vençam lá, à vontade. Sobretudo, vençam sem me chatear.
Mas também os aturo por escrito. No livro, no jornal. Romancistas, poetas, ensaístas, críticos (de cinema, meu Deus, de cinema!). Será que voltaram os polígrafos? Voltaram, pois, e em força.
Convencidos da vida há-os, afinal, por toda a parte, em todos (e por todos) os meios. Eles estão convictos da sua excelência, da excelência das suas obras e manobras (as obras justificam as manobras), de que podem ser, se ainda não são, os melhores, os mais em vista.
Praticam, uns com os outros, nada de genuinamente indecente: apenas um espelhismo lisonjeador. Além de espectadores, o convencido precisa de irmãos-em-convencimento. Isolado, através de quem poderia continuar a convencer-se, a propagar-se?

(...) No corre-que-corre, o convencido da vida não é um vaidoso à toa. Ele é o vaidoso que quer extrair da sua vaidade, que nunca é gratuita, todo o rendimento possível. Nos negócios, na política, no jornalismo, nas letras, nas artes. É tão capaz de aceitar uma condecoração como de rejeitá-la. Depende do que, na circunstância, ele julgar que lhe será mais útil.
Para quem o sabe observar, para quem tem a pachorra de lhe seguir a trajectória, o convencido da vida farta-se de cometer «gaffes». Não importa: o caminho é em frente e para cima. A pior das «gaffes», além daquelas, apenas formais, que decorrem da sua ignorância de certos sinais ou etiquetas de casta, de classe, e que o inculcam como um arrivista, um «parvenu», a pior das «gaffes» é o convencido da vida julgar-se mais hábil manobrador do que qualquer outro.
Daí que não seja tão raro como isso ver um convencido da vida fazer plof e descer, liquidado, para as profundas. Se tiver raça, pôr-se-á, imediatamente, a «refaire surface». Cá chegado, ei-lo a retomar, metamorfoseado ou não, o seu propósito de se convencer da vida - da sua, claro - para de novo ser, com toda a plenitude, o convencido da vida que, afinal... sempre foi.

Alexandre O'Neill, in "Uma Coisa em Forma de Assim"

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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

AJUDA À MADEIRA

Se algum dos visitantes deste blogue quiser ajudar a Madeira por intermédio de um entidade responsável, poderá fazê-lo através da seguinte conta aberta pelo Lions Clube de Portugal, Distrito CS (Centro sul)


D 115 C SUL LIONS CLUBES – AUXILIO MADEIRA

BANCO MILLENNIUM BCP

Conta nº 45392071307

NIB – 0033-0000-45392071307-05

Todos seremos necessários para reerguer a nossa pérola do Atlântico

domingo, 21 de fevereiro de 2010

QUERO AMAR-TE

Quero
Amar-te
Na invisibilidade das coisas
Quero
Amar-te
Nos contornos das sombras
Do meu quarto
Quero
Amar-te
No ser
Que não defino
E que não vêjo
Quero
Amar-te
No prolongamento do tempo
Alongar-me
Em teu nome
Que não conheço
Viver
Pensar
Que te encontrei
Não te encontrando
Quero
Amar-te
Assim
E só
Assim
Para não deixar
De te
Amar
Projectando
Em nós
Apenas sombras
Do que gostávamos
De ser
E não somos
Porque nem eu
Nem tu
Somos reais
E por isso
Será
Eterno
O meu amor

MC


(Para o J.A-"Eu sou do tamanho do que vejo"-F.Pessoa.

SOLIDARIEDADE COM A MADEIRA

Confrontados com as imagens que a TV nos mostrou ontem acho que todos nos sentimos um pouco illhéus... falo por mim, mas acredito que muita genta tenha o mesmo sentir.
Tenho sido uma grande frequentadora do arquipélago da Madeira - fiz a passagem deste ano no Funchal - e há cerca de trinta anos que faço férias no Porto Santo. Mesmo que assim não fosse, qualquer pessoa fica impressionada com esta tragédia, mas acredito que os madeirenses vão deitar mãos à obra e rapidamente tudo estará como dantes... embora mais doloroso para quem perdeu familiares e amigos.

Não sei porquê, veio-me à lembrança um poema de Pedro da Silveira, ele também ilhéu, mas açoriano, e apetece-me deixá-lo AQUI:

Aqui,
longe,
num café de Lisboa,
quase à beira do Tejo turvo das fragatas,
a olhar um paquete que vai na direcção da barra,
subitamente é como se eu também partisse.

E só de pensar-me partindo
embarco e, deslumbrado,
imagino-me chegado às ilhas.

in «Fui ao Mar Buscar Laranjas», de Pedro da Silveira

Um abraço solidário para todos os madeirenses

gaivota do sul

HAJA QUEM ME EXPLIQUE

Acabo de ver o "Plano inclinado" que ontem deixei a gravar. Se eu mandasse, punha aquilo a passar em sessões contínuas nos gabinetes ministeriais e no Parlamento e ao fim de cada dia fazia um teste aos que o tivessem visto. A lucidez e frontalidade dos protagonistas daquele debate é das mais valias que ainda nos sobram para nos ajudarem a perceber no fosso em que estamos metidos. Bem elucidativa a análise sobre os objectivos das alianças de participação estado-privados. Medina Carreira chamou-lhes uma trafulhice. E o mesmo sentido tiveram os adjectivos aplicados ao orçamento, um verdadeiro tapa olhos aos lorpas que somos nós todos. Isso, contudo, é uma questão que eu já entendi.
Agora preciso que me expliquem quais as funções do Presidente de um qualquer Conselho de Administração. É que eu julgava que esse senhor é que era a chave e o mandante na empresa para que fora nomeado. Por isso não percebi porque que razão é que o do parque Tagus nem sonhava com o que os seus directores executivos tinham acordado com o Figo...
HAJA QUEM ME EXPLIQUE

sábado, 20 de fevereiro de 2010

MADEIRA E PORTO SANTO

Há anos que espero ir visitar estas nossas ilhas. Porque tenho uma grande expectativa, o que lá se está a passar neste momento choca-me profundamente. Ainda tão preocupados com o Haiti, hoje despertámos com esta tragédia à porta. É a hora de nos juntarmos e darmos as mãos aos que são nossos e delas precisam.

AVISO AO GABIÓN E AO BANDO

Minha gente:
A troco de uma ajuda em Power Point, acabo de receber um exemplar de Boa Parte, maduro branco, Távora-Varosa. Afinal ele existe, se bem que não o tivesse encontrado na net. Desculpe, querido Gabión, por ter duvidado dos seus conhecimentos. Se andar por perto no dia do almoço avise para lhe dizermos onde estamos e venha partilhar a nossa refeição. Mimi, podes começar a preparar os condimentos. Um abraço para todos

ENQUANTO HOUVER...

Enquanto houver uns olhos que reflectem
outros olhos que os fitam,
enquanto a boca responda a suspirar
aos lábios que suspiram,
enquanto sentir-se possam ao beijar-se
duas almas confundidas,
enquanto exista uma mulher formosa,
haverá poesia!

(Gustavo Adolfo Bécquer)

Enviada por J.A

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

NOVO APELO AO GABIÓN

Senhor Gabión:
Venho lembrar o pedido feito de alterar a sugestão do vinho inserto no seu maravilhoso menu. É que não sabemos mesmo qual o melhor vinho para o acompanhar.
Agradecida em nome do bando

CHEGUEI HÁ POUCO DO AMOR

Cheguei há pouco do amor (cidade de gaivotas loucas e
luzes cegas). não concordas? eu sei já sei: vês as coisas
como falésias altas e impossíveis como ameias. cheguei há
pouco do amor e trago comigo este discurso aprendiz:

o idealismo. desculpe: o que pensa destas palavras dos
começos desse caminho as dóceis letras da promessa?
perdão perdão: há que passar para o outro lado (um
parâmetro de cada vez). se bem me lembro em pequeno

as cigarras podiam ser domesticadas e cada adeus
era um veneno. obrigado obrigado: também me pareceu
ser essa a sua opinião. cheguei há pouco do amor e

vejo as certezas do mundo como uma ilusão. receio pelo
eterno procuro a fantasia mas: é sempre no ventre
dessas gaivotas que se dão os primeiros beijos

João Luís Barreto Guimarães

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quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

NÃO POSSO ADIAR O AMOR

Não Posso Adiar o Amor

Não posso adiar o amor para outro século
não posso
ainda que o grito sufoque na garganta
ainda que o ódio estale e crepite e arda
sob montanhas cinzentas
e montanhas cinzentas

Não posso adiar este abraço
que é uma arma de dois gumes
amor e ódio

Não posso adiar
ainda que a noite pese séculos sobre as costas
e a aurora indecisa demore
não posso adiar para outro século a minha vida
nem o rneu amor
nem o meu grito de libertação

Não posso adiar o coração

António Ramos Rosa

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terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

7 PECADOS MORTAIS EU CONFESSO

7 pecados mortais eu confesso

GULA
Quando teu olhar me envolve
E sobre o meu corpo
A sombra do teu
Descansa

INVEJA
Sorris
E me provocas
Com teus beijos
E não mos dás

AVAREZA
Guardo os momentos
No meu corpo
Cansado
E espero um outro dia

LUXÚRIA
Sobre o teu corpo nu
Minhas mãos
Fazem viagens
Que só eu conheço

SOBERBA
Quero acreditar
Eu quero
Que só minha sejas

PREGUIÇA
Languidamente
Olho-te
Não te toco
Para te ter
Eternamente

IRA
Porquê este amor
De distância
Deste tocar
Sem ser tocado
Destas viagens
Sem regresso
Destes sorrisos
Perdidos no tempo
Deste papel
Em branco
Onde nada escrevo
Mas todos os dias
Peco
Porquê?

MC

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DÚVIDA A UM GABIÓN

Caro gabión frequentador deste blogue

O bando agradece a sugestão de refeição que enviou. A mim tocou-me a parte vinícola. Acontece que hoje andei a procurar na net o que nos aconselhou: "maduro branco---boa ponte-távora varosa-levemente frio". Não é que não o encontrei? Será que qupiou male? Na região Távora Varosa só aparece um "Boa Parte - Távora-Varosa DOC Espumante Rosé Bruto de 2006" que custa ou custava 8 euros.
Dado que eu não bebo espumantes (espumante já eu sou) agradecia que fosse à Paixão pelo Vinho procurar um substituto, mas em maduro branco sem borbulhas. Eu levo o que aconselhou (o Boa Parte porque o outro não existe) para as manas gaivotas e para mim comprarei o que me aconselhar.
Agradecida pela ajuda
Gaivota Maria

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

LEMBRANDO

Lembrando

E como esperei esse dia!
Cansada
Descansei nas nuvens
Olhei o poente
Abracei a noite
O mar falou-me de ti
Abri os olhos
E
Tinha-te num abraço

MC

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O TEU OLHAR

O teu olhar
Ensinou-me tanta coisa…


E até me contou histórias
Algumas de encantar
Outras mais para pensar
E debater contigo
O tramar da sua teia.

Falavas-me do Graal
Que perseguias
E do Rei que mais gostavas.
Mas as que eu preferia
Eram as da bela Inês,
A rainha sem o ser.

Conta-me tudo outra vez...

Inventa heróis
Ou refaz os conhecidos
Compõe fábulas
Ou cria mitos
Mas fala-me de quanto sabes.
Mesmo que não saiba entender
São motivo para eu viver

O que guardo em mim do teu olhar
São as histórias que gostavas de contar

GM

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A VOZ DO POVO É A VOZ DE DEUS

Todas as manhãs tenho por costume ouvir o Telejornal da RTP1 das 9h. Nos minutos que o antecedem é transmitida uma intervenção denominada "Bom português" em que se faz um inquérito a peões sobre a forma de escrita de algumas palavras. Hoje a pergunta era: como escrever a palavra cônjuge - com acento ou sem acento. Depois de várias dúvidas de uns e algumas certezas de outros, um dos interrogados, com aspecto simples e de quem não tinha formação académica superior, mas, que pela idade revelava ter tido uma boa 4ªclasse, respondeu desta forma, que eu achei deliciosa:
- Cá para mim é com acento no o. Mas com que essas mariquices que inventaram para a nossa língua já nem se sabe bem como é...

Mais um desafecto do novo acordo ortográfico...

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domingo, 14 de fevereiro de 2010

PLENAMENTE

Pedir-te amor
Que me afagues
Deixar que te toque
Levemente
Para te sentir
E libertar-me
Assim
Plenamente

MC

ÁLVARO DE CAMPOS - CARTAS DE AMOR

OS SETE PECADOS CAPITAIS DO AMOR

Esta interessante poesia foi deixada em comentário por um dos nossos leitores.


Gula

O meu olhar
te engole e te bebe
desde tua sombra
até o que respiras

Inveja

Invejam os astros dia a dia
o brilho estelar dos teus olhos
e o sorriso nacarado
que observo sem piscar
provocas os deuses
com o tecido nobre de tua pele morena

Avareza

Não te empresto a um olhar sequer
Estou te acumulando
em memórias
só para mim

Luxúria

tens-me
lasciva e devassa
líquida
a escorrer pelo teu corpo
em forma de língua

Soberba

Têm brilho argênteo
nossas umidades
e os pêlos
luzem mais
que mil sóis

Preguiça

Arrasta-me
para fora da cama
se não me quiseres
Leva-me embora
Mas leva-me nos braços

Ira

Odeio este amor
que me extravasa
rasgando-me a pele
como a um papel.

(Adriana Costa)


Bom dia de São Valentim especialmente para si, mas também para todas as «Gaivotas» que por aqui esvoaçam, não há tempo nem idade em que se não possa namorar! (J.A)

CONTRIBUIÇÃO PARA O S.VALENTIM

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade
Amo-te, enfim, como grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo, de repente
Hei-de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes

sábado, 13 de fevereiro de 2010

EÇA DE QUEIRÓS - UM PROFETA NO SÉC. XIX

Tenho o estranho defeito (ou virtude?) de, quando algo me incomoda na política portuguesa, tentar comparar a situação com outras vividas anteriormente e que me chegam pela letra dos que a elas assistiram ou nela participaram. Considerando o momento que estamos a viver aqui vos deixo 2 excertos do pensamento crítico de Eça de Queirós:

Política de Interesse

Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações. A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso, diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade, pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos, os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se, foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências, todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.

Eça de Queiroz, in Distrito de Évora (1867)

Louvor do Jornal

Nas nossas democracias a ânsia da maioria dos mortais é alcançar em sete linhas o louvor do jornal. Para se conquistarem essas sete linhas benditas, os homens praticam todas as acções - mesmo as boas.
(...) Para aparecerem no jornal, há assassinos que assassinam. (...) O jornal exerce todas as funções do defunto Satanás, de quem herdou a ubiquidade; e é não só o pai da mentira, mas o pai da discórdia.


Eça de Queiroz, in A Correspondência de Fradique Mendes

Fiquem a pensar nisto e… até à próxima
(texto a publicar in Matosinho Hoje de 16.2)

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

UMA SEXTA-FEIRA DE PERFEITO CARNAVAL

Hoje de manhã fui à rua. E fui porque tinha que fazer. Porque com o frio que está só grande razão me tirava de casa. Se não tivesse saído porém teria perdido um perfeito Carnaval nas redondezas. Passo a contar:
as escolas do 1º ciclo cá da terra têm o hábito de fazer desfiles de Carnaval na sexta-feira, último dia de aulas. Tudo bem se se limitassem ao espaço escolar. Mas depois do trabalho de pais e professores e dos gastos feitos nada como mostrar à cidade a beleza das crianças mascaradas. E para isso foi-se cortando o trânsito para o corso passar. Como aqui na terra ele já é complicado, hoje era o caos: ouviam-se mais as buzinas do que a música (será que havia?). Entretanto, dado o frio, para evitar as constipações havia casacões e Kispos por cima dos fatos. Uma beleza! Porque não fizeram o percurso no recreio escolar ou num dos parques locais? Em sexta-feira cortar o trânsito só mesmo de quem não tem respeito pelos outros. Lá no fundo acho que as criancinhas tinham preferido o calor das salas (que não é muito, mas mais acolhedor do que o da rua).

Outro carnaval era o da procura do "Sol". Não me refiro ao astro-rei que esse não conseguia aquecer ninguém. O Sol de que falo era o jornal, o tal que não respeitou a providência cautelar e saiu à mesma com mais umas histórias de outros carnavais encenados pelo nosso governo sob a batuta do PM. Havia quem entrasse nos quiosques ao empurrão para tentar arranjar um exemplar. E se já não havia, saíam a correr em direcção ao quiosque mais próximo. Como ele se esgotou e está a sair um novo à tarde, prepara-se um novo corropio nocturno para ver quem o arranja. E para quê? Este é um Carnaval que não vai acabar nestes 4 dias. Os melhores episódios vêm aí. Hoje são só os anúncios das cenas dos próximos capítulos. E amanhã deve haver desfile de máscaras lá para as bandas de Lisboa...
Cá por mim, vou-me deixar ficar por casa. Gostar por gostar era de estar nos 30 e tal graus do carnaval brasileiro. Pelo menos apanhava sol, comia bem e não tinha que aturar as imbecilidades a que estamos a assistir.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

TEMPO E CONVERSAS

Hoje almocei com a Cristina,a Paula,a Isilda,a Márcia e o Mário. Foi um saudável e "gostoso" momento de convívio e de preparação de uma celebração do nosso saudoso Curso de História. Rimos, atropelamo-nos a recordar coisas e saímos de casa da Cristina Pimenta com o coração cheio de amizade. Para eles aqui vai o meu abraço

Entre nós

Não há tempo

É como se há 25 anos

Tivesse sido ontem,

O Campo Alegre

Fosse ainda o nosso pouso,

E a troca de apontamentos,

As idas à biblioteca

O decorrer das aulas

E a lista dos professores

Fizessem parte do nosso quotidiano.



Destas coisas

São feitos os nós

Que reforçam os laços que criámos

E que nos permitem momentos especiais

Aqueles como hoje

Em que continuamos

A conversa que “ontem” começámos.

GM

domingo, 7 de fevereiro de 2010

REGRESSO DA GAIVOTA DO SUL

Já ontem a Gaivota do Sul tinha dado notícias. Era o sinal que regressara do frio. Hoje fui ao blogue dela e tive a oportunidade de a ver linda de morrer com um belíssimo chapéu e num local que a gaivota Mimi e eu conhecemos bem. Só que quando lá estivemos apanhámos foi uma vaga de calor. Mas também trouxemos gorros...apesar das altas temperaturas. Um chapéu de vison por 4 euros era irrecusável! Este ano ainda não usei o meu. Esperamos por mais fotos dessa viagem, gaivota do sul.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

ESPANTOSO!!!

Lacão diz que o governo está de consciência tranquila.

Interessante!

Como pode o governo ter tranquila uma coisa que NÃO POSSUI?

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

UM NOVO BLOGUE

O meu amor pela música e as sugestões que me deixam alguns dos que por aqui voam levou-me a abrir um blogue dedicado à música. E como o que nos faz gostar de uma música é o seu som ou a sua letra, e o que nos faz distinguir uma de outra são muitas vezes alguns factos ou pequenas histórias, quando tiverem uma música que gostassem de ouvir e/ou uma história para contar sobre ela, devem dirigir-se a http://sonatadasaudade.blogspot.com . Têm o link nos Meus links e poderão lá ir sempre que quiserem. Será um prazer receber-vos e compartilhar bons momentos convosco porque serão respostas a vossos pedidos ou sugestões.

DJ de serviço

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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

UM MOMENTO DE NOSTALGIA

Depois do desafio que ontem me fizeram com músicas dos anos 80, eu recordei muitas das que me têm marcado ao longo da vida. A madrugada despertou-me e eu aproveitei esse momento para tentar seleccionar algumas das que mais me marcaram. Foi então que me surgiu uma que, muito provavelmente, foi das que mais ouvi em solitário. Antes de ter tido a oportunidade de obter o disco, para a conseguir ouvir com frequência ligava para as emissões de discos pedidos e requisitava-a. Isto acontecia sobretudo nos programas nocturnos, aqueles acompanhavam as minhas horas de estudo. Como solo de trompete que é, não tem letra, o que me despertava mil emoções e recordações. Julgo que já não a ouvia há mais de .... anos (desculpem mas não digo quantos. Deixo isso à vossa imaginação). Hoje tirei a tarde para a encontrar na Internet. E consegui. Quantos momentos da minha vida eu recuperei ao ouvi-la. Continua a fazer-me arrepios. Aqui a deixo. Ouçam-na e depois pronunciem-se

RETRATO A SÉPIA

Nada em mim
faz supor
uma existência
pintada em cores garridas
contrastes fortes
ou artístico preto e branco.

Nem sequer
Tenho uma história para contar.
O meu quotidiano
É perfeitamente vulgar
Árido em sucessos
E se tem novidades
São as colhidas nos jornais.

Representável?
Talvez a ânsia de viver
E de atravessar o tempo
Sem olhar para trás.
Guardo o passado
Mas estou aberta ao futuro.

E porque estes meus conceitos
São algo de difuso
Entre a cor e a sua ausência
Para me definirem
Só desenhando-me a sépia.


im

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

CHET BAKER NA MINHA FAVORITA "BUT NOT FOR ME"

LEMBRANDO ROSA LOBATO FARIA

ROSA LOBATO FARIA

Partiu a "Rosinha", como tão ternamente era conhecida. Grande senhora, mãe, avó, amiga dos seus amigos, era uma mulher de muitas artes. Deu às portuguesas da sua geração o exemplo de como caminhar na vida no respeito pelos outros, no saber enfrentar os percalços e como assumir a passagem do tempo. Foi uma bela mulher até ao seu adeus. Que nela se concretizem estas palavras de Filimone Meigos, um autor africano: Os mortos também se amam. Acasalam-se à terra E fazem-se lenda Para que novas gerações Se amem mais e melhor…

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

PERGUNTA QUE FAÇO A MIM MESMA

Sorridente, Sócrates celebra num almoço com mulheres, os 100 dias do seu governo minoritário. Considerando tudo quanto sucedeu ao longo deste tempo, questiono-me:
será um sorriso ou um esgar nervoso?

Estranhamente lembrei-me de Napoleão...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

SOMETHING - UMA CANÇÃO ETERNA PARA DEDICARMOS A QUEM AMAMOS

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Para ouvirem sem interferências: não se esqueçam de ler o aviso que informa como desligar a música de fundo deste blog. Obrigada