domingo, 31 de janeiro de 2010

A MEMÓRIA DO 31 DE JANEIRO

Com pompa e circunstância, celebrou-se este fim-de-semana no Porto, a memória da Revolução de 31 de Janeiro. Compreende-se que tudo se tenha passado naquela cidade porque ela foi o verdadeiro palco dos acontecimentos que poderiam ter antecipado a implantação da República em Portugal. Acompanhei o acontecimento pela televisão e penso que o país terá ficado ciente do papel importante que o Porto desempenhou no caminho para a liberdade. Estranhei, e muito, Matosinhos não ter participado na festa. A nossa Câmara, sempre atenta à História local, perdeu uma oportunidade de ouro de se ter colado ao que se passou no Porto. Para os que não sabem eu conto: os revoltosos do 31 de Janeiro, que não morreram na refrega, foram trazidos para o anteporto de Leixões onde se mantiveram bastante tempo presos em barcos aí fundeados e onde acabaram por ser julgados. Rezam os jornais da época que, aproveitando os carros americanos que faziam as ligações entre o Porto e Matosinhos, aos domingos centenas de pessoas, a maioria sendo familiares dos detidos, para aqui se deslocavam na vã tentativa de com eles poderem contactar ou pelo menos os avistarem.Foi pena este facto não ter sido relembrado hoje em Matosinhos.

sábado, 30 de janeiro de 2010

A MINHA 4ª CLASSE DE 1953

Iniciei a minha actividade académica com 6 anos, quando (infelizmente) a escolaridade ainda não era obrigatória. Pouco tempo depois aquela lacuna foi resolvida com a imposição de todos os nascidos em território nacional passarem a ter de fazer a 4ª classe. Com o passar dos anos e a Revolução dos Cravos (que não foi sangrenta, mas tem feito correr muito sangue) o período de estudos ao qual a nossa juventude tem vindo a ser obrigada, estendeu-se até ao 12º. Embora continue a pensar que mais vale um bom profissional sem estudos do que um doutor ignorante, não tenho nada contra isso. Mas, quando esta medida apareceu, a maioria do país começou a duvidar da real intenção do Governo ao criá-la. E então interrogou-se: se os alunos não querem estudar, nem ir para ao ensino superior, para que raio obrigá-los a fazerem um percurso destes? E como tudo isto acontecia num período em que as caixas dos nossos supermercados estavam em grande parte ocupadas por licenciados no desemprego, demo-nos conta de que aquela medida calhava mesmo bem para atenuar os números dos que não tinham colocação. Sim porque estudante não é desempregado. E se ainda restavam algumas dúvidas do objectivo governamental, eis que o nosso Primeiro-Ministro veio anunciar gloriosamente a implementação dos cursos designados por Novas Oportunidades destinados aos que nunca, em tempo algum, iriam chegar por “motu” próprio ao 12º. Assim, sem grande esforço, era só fazerem um cursito ao faz de conta e ei-los com equivalência a esse patamar. E, além disso, se continuarem desempregados aos 23 anos, e tiverem saudades de andar “a estudar”, poderão concorrer a um qualquer curso do ensino superior. O difícil será escolher qual dado o vazio científico e cultural com que lá chegam se pensarmos na “profundidade” e “riqueza” dos currículos frequentados nas “academias” precedentes. Mas enquanto lá estão continuam a não contar para a taxa do desemprego.
O mesmo Governo que criou este estado de coisas abraçou com ligeireza a proposta europeia dos currículos do processo de Bolonha. Os anos lectivos passaram a semestres (de 4 meses) e os alunos chegam ao fim do Mestrado no mesmo espaço de tempo em que as gerações de há 4/5 anos para trás faziam apenas uma licenciatura. Ou éramos todos lentos e estúpidos e precisávamos desse tempo todo para uma formação ou esta gente já nasceu com saberes inimagináveis. Mas tudo isto também se aguentava (português está habituado a tudo…) não fosse o facto de, em variadíssimas situações, estes novos licenciados e mestres pós Bolonha passarem à frente dos pré - Bolonha, devido ao decreto lei, que regulamentou aquele Processo, não ter deixado claras as compatibilidades e equivalências dos dois diferentes regimes curriculares. Aliás corre neste momento na net uma petição lançado pelos prejudicados para pedirem remédio para tal injustiça.
A mim já nada disto me afecta. Apenas me revolta. De que me valeria ter duas licenciaturas e um mestrado se tivesse ainda que concorrer contra esta gente que começa agora a sair formada? E o meu medo, o meu grande medo, é que um dia, mais ou menos próximo, nós, os ditos pré - Bolonha, vejamos os nossos cursos equiparados aos dos alunos saídos das Novas Oportunidades.
Por essas e por outras é que quando agora me pedem um currículo eu limito-me a dizer que “tenho a 4ª classe de 1953”. Essa tinha qualidade porque sabíamos ler, escrever e contar. Além disso não tinha concorrência de outros cursos e não influía na taxa do desemprego porque quem então não a fazia era porque já trabalhava.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

O MEU HINO E A MINHA CIDADE

Hoje alguém me mandou este video. Gostaria de partilhá-lo com quem é do Porto, mas, sobretudo, com quem não é.



video


Bibó Porto

AFINAL HAVIA OUTRA... RAZÃO

A semana passada fui a Lisboa em visita de estudo com a minha Universidade Sénior Florbela Espanca. Entre responsáveis, alunos, amigos de alunos e guia, éramos 60 pessoas. O plano de visitas considerava a Assembleia da República, a Igreja de S. Roque e o seu museu sacro, a Basílica e o palácio de Mafra. O almoço final, momento de sabores e amizade foi bem juntinho ao mar, numa tarde linda e quente de sol, no Hotel da Ericeira. Não vou desdobrar-me nesta crónica por todos estes locais. Restringir-me-ei a falar daquele menos acessível ao grande público e simultaneamente o que maior curiosidade nos desperta: A Assembleia da República. A ela tivemos acesso através da nossa conhecida ex-vereadora e agora só deputada, a matosinhense Dra. Luísa Salgueiro. Recebeu-nos de uma forma admirável, com a sua habitual generosidade e simplicidade, e só não nos acompanhou durante o tempo em que este presa no hemiciclo devido a uma votação. Visitámos tudo quanto era possível no palácio e ali almoçámos. Mas o que mais nos satisfez, pelo menos a mim, foi o poder assistir a parte de uma sessão de debate de uma proposta apresentada em conjunto pelo PS e CDS. Dada a importância do facto, praticamente todos os deputados estavam presentes (pelo menos fisicamente, como veremos mais à frente). Quando entrámos nas galerias, sentimos que estávamos a entrar num espécie de sala, tipo sala de aula, em que um professor expunha a lição enquanto toda a turma fazia o que entendia, perfeitamente alheada do que se passava (de ressalvar que os único atentos pareciam os da mesa da presidência). Assim uns e outros deputados falavam entre si, levantavam-se e iam de passeio até outro lado, gritavam bocas, saíam da sala para entrar pouco depois, jogavam no computador que tinham à frente, liam as notícias nos jornais do dia (online ou em papel), respondiam a emails, etc…, etc…, etc …. Resumindo um alhear absoluto ao que tinham à volta. Quando um orador se calava era mandado o outro falar. Creio que os restantes presentes nem por isso davam, a não ser quando alguém da sua própria bancada batia palmas que eles logo acompanhavam também distraidamente. Confesso que fiquei siderada e revoltada com a situação. Não assistimos à votação porque chegava a hora do almoço. Terminado este, comido na cantina do palácio, voltámos à visita, desta vez já com a companhia da Dra. Luísa Salgueiro. Não sei se alguém lhe comentou o nosso espanto sobre aquilo a que assistíramos. Mas quando, na antiga e bela sala da extinta Câmara Corporativa, dirigiu ao grupo algumas palavras, iniciou-as exactamente para nos explicar a razão da “aparente” rebaldaria existente no hemiciclo. Assim ficámos a saber que as propostas são previamente apreciadas e discutidas em comissões nomeadas por especialidades e de que fazem parte elementos de cada um dos partidos. Dessas comissões saem as tomadas de posição partidárias sobre o assunto em causa e que serão posteriormente defendidas no hemiciclo por elementos para isso designados. Isso explica que enquanto estes se digladiam em público os restantes deputados aproveitem o tempo privado para fazer o que lhes dá na real gana. Só têm é que estar presentes na hora da votação. E foi assim que eu, e quantos me acompanhavam, aprendemos que afinal havia outra razão que nos explicasse o mau aspecto que os nossos deputados dão ao país durante os debates parlamentares. É que naquelas sessões a grande maioria não tem mesmo mais nada que fazer pela vida a não ser votar. Durante todo o tempo só trabalha a meia dúzia designada para o combate.
Serão precisas mais explicações? Aceitei-as, mas não me convenceram. Continuo a não gostar daquele comportamento que considero uma falta de respeito a todos os portugueses que são os verdadeiros patrões daqueles senhores.
(Crónica publicada em Matosinhos Hoje de 26.1.2010)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

PARA A BELA INÊS

ETERNA PARTIDA

Longe na bruma dum tempo que passa
e não se percebe se é ou já foi
eu vejo-te aos poucos voar para fora
dum sonho secreto que amámos os dois...
Mas voa, avezinha, levanta-te agora,
desdobra os teus sonhos como asas de vento!
Bebe o ar alto, faz-te condor
sem um lamento, sem um momento
em que olhes de volta e me vejas a dor
de te ver partir além-fantasia
que chega ao seu fim...
de te ver fugir da vida vazia
que fica comigo
p' ra justo castigo
de te amar assim...
Foste musa, poesia, aurora e fragrância
Deusa pagã, virgem, irmã,
altar ritual de transes de amor...
e dor... também dor,
qual luz de mil sóis de infinito calor
que vivi e sofri, que te dei e me deste
em mergulhos perdidos no fundo de nós.
Foste o meu Norte, o meu Sul, o meu Leste,
a droga que encheu o meu sangue de vida
segredada a sós,
sussurrada a dois
e que eu sempre soube dever aprender
a ter de perder...
um dia... depois...
e sempre depois,
na bruma dum sonho que eu queria sem fim
mas que só podia
existir sem mIm!...
Foram dias e noites e meses e anos
contigo em segredo a encher-me o vazio
do saco fechado deste viver!
...mas nada mudou,
anda cá, anda ver:
os olhos cansados que embalam futuros
de incerto horizonte do vácuo que sou
mantêm fiéis a promessa perene
que fiz em silêncio,
de te serem puros,
de te amarem sempre!
Nada mudou!
Nem em mim nem em nós.
só mudaste tu, como tinha de ser,
e mesmo sem querer, ficámos mais sós...
Vou partir p'ra bem longe da dor que há em mim
e saber acordar de novo sozinho.
Vou fazer assim em defesa do ninho
a que tu tens direito com alguém que o mereça...
...mas antes que esqueça, porque isso não posso,
vou guardar tudo aquilo que um dia foi nosso
num canto secreto do meu coração
que, queiras ou não, será sempre teu!
Aí, por mais voltas que o destino invente,
Vives tu, meu amor, eternamente!

(Pedro Laranjeira).

Obrigada ao leitor que me deixou esta beleza em comentário



UM FILME PARA RECORDAR

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

RUMAR DE NOVO

O sol surgiu redondo
Do lado da cidade
E coloriu de rosa
O azul do mar.
Levantei-me de mansinho
Sacudi as penas
E fiz um voo curto
Para me alongar
E recuperar do pânico da noite que findara.
Pousei na orla da maré.
Olhei para o alto
E pareceu-me ver,
Se bem que longe,
Um vulto ondulante de gaivota.
Aguardei ansiosa
Que se aproximasse
Para desfazer a minha dúvida
E confirmar a minha esperança.
E eis que ela chegava.
Num movimento em arco
Deslizou para junto de mim.
Cobriu-me com as asas
Cansadas de me procurarem,
segundo segredou.
Encantada
Abriguei-me nas suas penas
E mesmo sem falarmos
Percebi que não fora abandonada.

Olhei o céu
Olhei o mar
E no beijo que trocámos
Descobri
Que voltava a ter rumo novamente

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

ABANDONO

Uma a uma
As ondas foram avançando
Em direcção ao areal.
À minha frente
O bando levantou
E tomou rumo sem aviso prévio
Num total esquecimento de mim.
A água lambeu a praia
Em movimento rasante
E arrastou consigo
Os sinais de presença das gaivotas.
A areia surgiu lisa
Como uma página sem letras
Em que nem o sol,
Que espreitava por entre as nuvens
Desfeitas em farrapos,
Ousou traçar
Os esboços do costume.
A lua espreitou devagarinho
E as estrelas
Começaram a acender-se.
Sozinha e paralisada
Aninhei-me entre as rochas
Procurando uma razão
Para tal abandono
Que não procurei
Mas em que fui deixada.

domingo, 24 de janeiro de 2010

DESNORTE

Finda a tempestade
Não recuperei o rumo do meu voo.
Perdi as rotas
E não consigo encontrá-las
Nos despojos
Espelhados no areal.
Apenas aqui e ali
Surgem sinais,
Pequenos,
De traços conhecidos.
A luz, se bem que difusa
Começa a iluminar
Espaços habituais
Onde parava o meu bando.
Mas nenhuma das gaivotas
Voltou ainda.
Como voltar a partir
Se não sei para onde voar?

SS

CANÇÃO PARA UMA GAIVOTA

sábado, 23 de janeiro de 2010

TEMPORAL

Um temporal perturbou-me o voo.
Não adivinhara a chegada dos seus sinais
Na claridade do azul do céu daquela tarde
E no reflexo do sol sobre o meu mar

Contudo, chegada a noite,
Quando, apaixonada,
me preparava para voar
numa rota desejada de prazer,
os astros perturbaram-se:
a chuva apareceu
e um raio caiu mesmo ao meu lado.

Espantada,
Não consegui levantar-me
Para o voo tão aguardado
E quedei-me gelada e temerosa
Num canto escondido do areal

De que vale sonhar em ser feliz
Quando, num segundo
Os sonhos concebidos são desfeitos
Por energias externas e opostas
Ao nosso desejo mais profundo

SS

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

PERDI O HÁBITO DE TI

Perdi o hábito de ti.
A ausência
Preencheu o teu lugar
Com inseguranças
Incertezas
E saudades.
Já não sei a cor do teu olhar
E silenciei a memória
Da tua voz.
Por isso
Vivo em confusão
No meio das gentes
E não te encontro
Porque não sei procurar-te.

Busca-me tu
Para que não te perca.
Tira-me desta sombra
Em que me fecho.
Não deixes que me leve
O esquecimento.

SS

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

200 ANOS DAS LINHAS DE TORRE VEDRAS

No momento em que se comemora o 2º centenário deste conjunto de fortificações únicas no mundo, aqui deixo 2 textos (cuja procedência está indicada) sobre a sua história:

Procurando organizar a defesa do pais contra uma eventual nova invasão, Arthur Wellesley, futuro duque de Wellington, inspirado nos trabalhos de Neves Costa, mandou construir um conjunto de fortificações, pondo a natureza ao serviço da estratégia militar. O Memorando dirigido a Fletcher, a 20 de Outubro de 1809, ordenava o reconhecimento do terreno e a fortificação dos pontos mais convenientes e defensáveis, criando um sistema de defesa a Norte de Lisboa, que viria a ser conhecido por Linhas de Torres Vedras – três linhas com um total de 152 redutos e 600 peças de artilharia, um sistema de comunicações com postos de sinais, defendido por cerca de 140 mil soldados portugueses, britânicos e espanhóis, bem como tropas portuguesas não regulares, estendidos ao longo de mais de 88km, o maior sistema de defesa efectiva na história, construído entre 1809 e 1812, sob a direcção do Tenente-coronel britânico Richard Fletcher.
Em Setembro de 1810, Napoleão, determinado a vencer a Guerra Peninsular, enviou o seu marechal André Masséna, com 65 mil homens, para invadir novamente Portugal. As suas tropas chegaram diante das Linhas de Torres Vedras, então com 126 redutos de defesa construídos. Todavia, não as conseguiram ultrapassar, tendo sido obrigados a retirar. A derrota marcou o inicio da queda de Napoleão, dando aos acontecimentos de Portugal, e particularmente da região de Torres Vedras, uma dimensão europeia.

http://www.linhasdetorresvedras.com/


A construção só ficou pronta em 1812, apresentando quatro sectores. A primeira linha tinha uma extensão de 46 km e ligava Alhandra à foz do rio Sizandro Torres Vedras). A segunda, construída a cerca de 13 km a sul da primeira, tinha um comprimento de 39 km e ligava o Forte da Casa a Ribamar. A terceira linha, defendia a praia de embarque em S. Julião da Barra, a cerca de 40 km a sul da segunda linha, tinha uma extensão de 3 km, ligando Paço de Arcos à Torre da Junqueira. Na área de Setúbal, foi edificada a última linha deste conjunto de fortificações, para evitar uma aproximação pelo sul.

domingo, 17 de janeiro de 2010

LETARGIA DE DOMINGO

Caiu a noite há pouco
Apagando o que restava da tarde
E nada aconteceu
Salvo algumas trivialidades
Quotidianas
Que se repetem inexoravelmente.

Nem sequer saí
Porque choveu.
E não li também
Porque o livro
Encontrou-me distraída
Num mundo de pensamentos,
De espera
E de desejos variados.
Apenas a música me prendeu
E embalou
A espécie de sono
Que me tomou…

Caiu a noite há pouco…
Ninguém apareceu…
Nada aconteceu…
De diferente apenas houve
O facto de ser domingo.

IL

sábado, 16 de janeiro de 2010

PARA UM DIA TRISTE MAS DE ESPERANÇA NA VIDA

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

15 DE JANEIRO DE 2010 - IN MEMORIAM DE JOSÉ DOS SANTOS LESSA

A Morte nada significa,
Eu passei simplesmente para o outro lado.
Eu sou eu. Tu és tu
O que éramos um para o outro, assim continuamos.
Chama-me pelo meu nome, como sempre me chamaste,
Fala-me como sempre o fizeste,
Não uses um tom diferente.
Não tomes um ar solene ou triste,
Continua a rir do que, juntos, nos fazia rir.
Reza, sorri, pensa em mim, reza comigo.
Que o meu nome seja dito em casa como sempre foi,
Sem ênfase alguma, sem qualquer melancolia.
A vida significa o que sempre significou,
O que sempre foi: a ligação não está cortada
Porque havia eu de estar fora do teu pensamento?
Só porque estou longe do teu olhar?
Eu não estou longe,
Mas apenas do outro lado do caminho...
Vá, tudo vai bem...
Tu reencontrarás o meu coração
E nele a verdadeira ternura.
Enxuga as lágrimas. Se me amas, não chores!

(Traduzido por A. G. de Paris Match, 16-02-1995)

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

ESTA É A SABEDORIA VERDADEIRA E IMORTAL

"Sábio é aquele que conhece os limites da própria ignorância."

"Conhece-te a ti mesmo."

"Só sei que nada sei."

Sócrates

não aquele em que estão a pensar mas o verdadeiro, o filósofo do séc.V (a.C.) . O actual não é mais do que um aprendiz de feiticeiro

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

ASSIM SE LEVANTA UM PAÍS

“O irregular e promíscuo funcionamento dos poderes públicos é a causa primeira de todas as outras desordens que assolam o país.

Independentemente do valor dos homens e das suas intenções, os partidos,
as facções e os grupos políticos supõem ser, por direito, os representantes da democracia. Exercendo de facto a soberania nacional, simultaneamente conspiram e criam entre si estranhas alianças de que apenas os beneficiários são os seus militantes mais activos.

A Presidência da Republica não tem força nem estabilidade.

O Parlamento oferece constantemente o espectáculo do desacordo, do tumulto,
da incapacidade legislativa ou do obstrucionismo, escandalizando o país com o seu procedimento e, a inferior qualidade do seu trabalho.

Aos Ministérios falta coesão, autoridade e uma linha de rumo, não podendo assim governar, mesmo que alguns mais bem intencionados o pretendam fazer.
A Administração pública, incluindo as autarquias, em vez de representar a unidade, a acção progressiva do estado e a vontade popular é um símbolo vivo da falta de colaboração geral, da irregularidade, da desorganização e do despesismo que gera, até nos melhores espíritos o cepticismo, a indiferença e o pessimismo.

Directamente ligada a esta desordem instalada, a desordem financeira e conómica
agrava a desordem Política, num ciclo vicioso de males nacionais. Ambas as situações somadas conduziram fatalmente à corrupção generalizada que se instalou…”

Estas opiniões, que circulam entre nós por email, retratam um período político ocorrido há 70 anos, servem perfeitamente para traduzir o que a maioria dos portugueses pensa sobre o que ocorre nos nossos dias ao mesmo nível. Salazar, o seu autor, parece que adivinhava...

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

POESIA NUMA MANHÃ DE FRIO

A tentação da dormência
a doce carícia da vaga derradeira,
a paz que ergue o fim,
o sossego para lá do silêncio,
tempo de espera, tempo de pensamento,
vida que se perde, horizonte que se acha!
Assim vamos, humanos e sós,
a caminho de um julgamento de amor,
procurando o canto onde viveremos a eternidade.
Aí, sem vontade maior que o sorver da permanência,
na quietude plasmados como ar e respiro,
deixamos o olhar viajar nas ideias libertas
por uma alma sem corpo.

José Alexandre Pacheco

sábado, 9 de janeiro de 2010

PARABÉNS, MAFALDA


A minha neta mais nova entra hoje na maioridade. É um dia muito importante para ela e muito feliz para toda a família que tem um grande orgulho nesta futura assistente social, dona de um coração enorme e quente. Que Deus a faça muito feliz já que ela é capaz de partilhar essa felicidade por todos que dela precisam. Beijinhos da avó

COM UM HAPPY BIRTHDAY ENTOADO POR UM CONJUNTO DO TEMPO DA AVÓ

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

FARIA HOJE 75 ANOS ESTE HOMEM INTEMPORAL

O que mais gostei no Elvis Presley foi a facilidade com que ele se assenhoreava dos diferentes estilos musicais, do rock bem batido à música a que a minha geração denominava como "de constituir família". Por isso escolhi, para comemorar este dia em que ele faria 75 anos, uma das que ainda posso dançar. Sim, porque o rock around the clock embora me faça marcar o ritmo com os pés já não se dá com o resto do meu corpo. Mudam-se os tempos, mudam-se os ritmos.

ELVIS - 33 ANOS DEPOIS

NEVE PARA UNS E FRIO PARA TODOS


Hoje, com este frio, fiz minhas as palavras de Alberto Caeiro:


A neve pôs uma toalha calada sobre tudo.
Não se sente senão o que se passa dentro de casa.
Embrulho-me num cobertor e não penso sequer em pensar.
Sinto um gozo de animal e vagamente penso,
E adormeço sem menos utilidade que todas as ações do mundo.

Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

UMA CANÇÃO ETERNA NA VOZ DE UM JOVEM

SEMENTE EM DIA DE FRIO

Deixa que te olhe
No dia cinza e prenhe de bruma
Que se colou espessa nos vidros
Vago reflexo que não alcanço
Ainda que a alma se expanda
E te toque.
Deixa que pense
Mesmo que seja num dia sem sol
Que o sempre não é somente palavra
De um dicionário coberto de pó
E a vida não é gazela que foge
À nossa frente.
Deixa que sinta
Como sopro leve, lábios conhecidos
Que sussurre o tempo que já esperei
A brisa que trazes nos dedos carícia
E quanto serás eterno em meu corpo
Que aguarda.
Deixa que a vida me diga de ti hoje e amanhã
Para que exista um sulco de esperança
Semente plantada em dias de frio
Na terra que piso.

s.a. in blog Mulher 50 a 60

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

OS REIS NA PALAVRA DA GAIVOTA DA BEIRA-TEJO

BOM DIA DE REIS PARA TODAS AS GAIVOTAS

Apontamentos sobre a História do Bolo-Rei


A LENDA QUE ASSOCIA O BOLO-REI AO NASCIMENTO DE JESUS
Trata-se obviamente de uma lenda, segundo a qual este doce representaria os presentes oferecidos pelos Reis Magos ao Menino Jesus aquando do seu nascimento. A côdea simbolizava o ouro, as frutas secas e cristalizadas representavam a mirra, e o aroma do bolo assinalava o incenso.
Ainda na base do imaginário, a existência duma fava também tem a sua explicação: Quando os Reis Magos viram a Estrela de Belém que anunciava o nascimento de Cristo, disputaram entre si qual dos três teria a honra de ser o primeiro a entregar ao menino os presentes que levavam.
Como não conseguiram chegar a um acordo e com vista a acabar com a discussão, um padeiro confeccionou um bolo, escondendo no interior da massa uma fava. De seguida cada um dos três Magos do Oriente pegaria numa fatia. O Rei Mago que tivesse a sorte de retirar a fatia contendo a fava seria o que ganharia o direito de entregar em primeiro lugar os presentes a Jesus.
O dilema ficou solucionado, embora não se saiba se foi Gaspar, Baltazar ou Belchior o feliz contemplado…
SEGUNDO A HISTÓRIA,
A versão é bem diferente. Aproveitando um inocente jogo de crianças, os Romanos inseriram a sua prática nos banquetes, durante os quais se procedia à eleição do rei da festa, que consistia em escolher entre si um rei tirando-o à sorte com favas, por isso designado por vezes também rei da fava.


A IGREJA CATÓLICA ENTRA EM CENA
A Igreja Católica terá aproveitado o facto de aquele jogo dos Romanos ser característico do mês de Dezembro e decidiu relacioná-lo com a Natividade e com a Epifania, ou seja, com os dias 25 de Dezembro e 6 de Janeiro.
A influência da Igreja na Idade Média determinou que esta última data fosse designada por Dia de Reis e simbolizada por uma fava introduzida num bolo, cuja receita se desconhece.


A FRANÇA NA ORIGEM DO ACTUAL BOLO-REI

O Bolo-Rei terá surgido, tudo o indica, no tempo de Luís XIV, para as festas do Ano Novo e Dia de Reis.
Com a Revolução Francesa, em 1789, este bolo foi proibido por causa da alusão real, só que os pasteleiros, que tinham um excelente negócio em mãos, em vez de o eliminarem decidiram continuar a confeccioná-lo, chamando-lhe Gâteau des Sans-Cullotes.
Parece de facto não haver dúvidas de que o Bolo-Rei tem verdadeiras origens francesas, apesar de o Bolo-Rei popularizado em Portugal no século passado não ter a ver com o bolo simbólico da festa dos reis existente na maior parte das províncias francesas a norte do rio Loire, na região de Paris, onde o bolo é uma rodela de massa folhada recheada de creme.
O nosso Bolo-Rei segue a receita a sul de Loire, um bolo em forma de coroa feito de massa levedada.
Acrescenta-se que ambos os bolos continham uma fava simbólica, podendo ser um objecto de porcelana.


O BOLO-REI EM PORTUGAL

Tanto quanto se sabe, a primeira casa onde se vendeu Bolo-Rei em Portugal foi a Confeitaria Nacional, em Lisboa, por volta do ano de 1870, bolo esse feito pelo afamado confeiteiro Gregório através duma receita que Baltazar Castanheiro Júnior (o proprietário) trouxera de Paris. A pouco e pouco, outras confeitarias também passaram a fabricá-lo, o que deu origem a várias versões.

Foi com a proclamação da República, em 5 de Outubro de 1910, que vieram os piores tempos para o Bolo-Rei, ficando em risco a sua existência, tudo por causa da palavra “rei”. Os confeiteiros, contudo, continuaram a fabricar o bolo sob outras designações...

Os menos imaginativos deram-lhe o nome de ‘ex-bolo-rei’, mas a maioria chamou-lhe Bolo de Natal ou Bolo de Ano Novo. Não contentes com nenhuma destas ideias, os republicanos mais radicais chamaram-lhe Bolo Presidente, e até houve quem lhe chamasse Bolo Arriaga, em homenagem ao Presidente da República, Manuel Arriaga, o primeiro presidente da república portuguesa, cujo mandato decorreu de 24 de Agosto de 1911 a 26 de Maio de 1915.

(Gaivota da Beira-Tejo)

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

VILLANCICOS DE REYES EN ESPAÑA

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

VÉSPERA DOS REIS E JANEIRAS

Quando eu era pequena um dos momentos mais altos do Natal para mim era o dia de Reis. Ainda este era feriado e por isso não havia aulas. Por isso na véspera podíamos consoar calmamente e deitarmo-nos mais tarde. Isso permitia que pudessemos assistir ao ingénuo espectáculo de grupos de rapazes que, com instrumentos muito rudimentares, vinham tocar e cantar à nossa porta as tradicionais Janeiras. Muito eu gostava daquilo! Várias vezes pedi para me deixarem ir com aqueles grupos, mas nunca fui autorizada. Na cidade em que moro esta foi uma das tradições que se perderam. Que pena esta aculturação! Com ela perdeu-se também o costume de festejar os Reis.
Há uns anos atrás, tive a possibilidade de reviver o costume. O grupo foclórico de uma aldeia do Douro, onde temos uma casita, veio-nos brindar pela meia-noite com os seus cantos. No primeiro ano apanhei um enorme susto. Estava já a dormir quando rebentou o som de um bombo junto da janela do meu quarto. Seguiram-se ferrinhos, cavaquinhos e vozes. Saímos pela casa fora, mesmo de roupão e viemos partilhar com eles a sua alegria. E à 1h da manhã a minha sala estava cheia de gente a comer e a beber festejando de uma forma inesperada os "meus Reis".
Para todos vocês uma santa noite de consoada mágica.

NATAL DOS SIMPLES

domingo, 3 de janeiro de 2010

REIS MAGOS

Diz a Sagrada Escritura
Que, quando Jesus nasceu,
No céu, fulgurante e pura,
Uma estrela apareceu.
Estrela nova ... Brilhava
Mais do que as outras; porém
Caminhava, caminhava
Para os lados de Belém.
Avistando-a, os três Reis Magos
Disseram: “Nasceu Jesus!”
Olharam-na com afagos,
Seguiram a sua luz.
E foram andando, andando,
Dia e noite a caminhar;
Viam a estrela brilhando,
sempre o caminho a indicar.
Ora, dos três caminhantes,
Dois eram brancos: o sol
Não lhes tisnara os semblantes
Tão claros como o arrebol
Era o terceiro somente
Escuro de fazer dó ...
Os outros iam na frente;
Ele ia afastado e só.
Nascera assim negro, e tinha
A cor da noite na tez :
Por isso tão triste vinha ...
Era o mais feio dos três !
Andaram. E, um belo dia,
Da jornada o fim chegou;
E, sobre uma estrebaria,
A estrela errante parou.
E os Magos viram que, ao fundo
Do presépio, vendo-os vir,
O Salvador deste mundo
Estava, lindo, a sorrir
Ajoelharam-se, rezaram
Humildes, postos no chão;
E ao Deus-Menino beijaram
A alava e pequenina mão.
E Jesus os contemplava
A todos com o mesmo amor,
Porque, olhando-os, não olhava
A diferença da cor.

OLAVO BILAC

sexta-feira, 1 de janeiro de 2010

UM BOM ANO MUSICAL