sábado, 31 de outubro de 2009

EU PECADORA ME CONFESSO: AS LUVAS

Não, não me vou referir àquelas peças de vestuário (ou calçado? Sim porque as ditas calçam-se e não se vestem. Agradeço que alguém mais informado neste assunto me tire esta dúvida. Desde já obrigada). Não que não goste delas. Por acaso até me sabem muito bem naqueles dias de friinho que de vez em quando temos por cá. E tenho um gosto muito particular pelas de pele com um pelinho por dentro. Se não tenho de conduzir, opto pelas de lã. Tenho alguns pares, uns melhores do que outros. Contudo não tenho nenhumas favoritas dado que, sempre que elejo umas para essa categoria, duram-me muito pouco porque passo a vida a perder uma delas e portanto a desfazer pares.
As luvas que hoje são tema desta minha conversa são outras. Como hei-de explicar? Talvez assim: uma pessoa precisa de uma coisa que é difícil mesmo quase impossível de arranjar. Quando descobre que alguém lhe pode satisfazer essa necessidade vai falar com o dito cujo que pode resolver a situação e apresenta o seu problema. O que recebe o pedido torce-se e retorce-se, refere as dificuldades e…. Aí surge a solução: se houvesse um envelope com uns tostões ou uma outra qualquer oferta, talvez se amaciasse a questão. Passa-se a vias de facto, os protagonistas cumprimentam-se (talvez porque antigamente o fizessem de luvas é que a palavra terá hoje o sentido de pagamento capcioso, indevido e fraudulento) e o assunto fica resolvido.
Um dia, aí por volta dos idos de 1970, eu própria fui peça importante e colaborante num acto destes. Como professora (num colégio particular já extinto) eu tinha que avaliar as alunas, acto sempre difícil sobretudo no final de ano. Então podia passar-se desde que só reprovada a uma disciplina. Por acordo estabelecido, mesmo no ensino oficial, quando havia alunos reprovados a duas disciplinas, o conselho avaliador propunha uma nota a uma delas sempre que o aluno se tivesse revelado interessado ao longo do ano, para evitar a sua retenção. A proposta teria sempre que ficar justificada e registada em acta. Nesse ano tínhamos um caso desses com uma aluna, filha do dono de uma marisqueira local, e que estava mal a Ciências (cuja professora era uma freira) e a História ou seja, era minha aluna também. No momento de lançar as notas o Conselho ia votar uma. Ninguém era obrigado a dar a nota. Acontece que nesse momento e porque toda a gente conhecia as mãos largas do pai da aluna, pensei: “a disciplina votada vai ser recompensada. Ora X vai fazer uma oferta, provavelmente uma lagosta. Como não sabe como ela foi dada, vai oferecê-la à professora da disciplina favorecida. Sendo assim, se for a Ciências vão ser as freiras a comê-la (e elas eram tantas! Que me perdoem se alguma ainda está viva!). O melhor será eu antecipar-me e dar a nota a História!”. E assim fiz. E recebi a bicha que foi muito bem comida. Em casa éramos então só três, descontando a canalha miúda que ainda não tinha a dentição completa.
Moral da História – se algum dia eu chegar a um cargo público nesta “república das bananas” têm aqui, desde já confessado o meu pecado de concessão de favores. Não vale a pena procurarem em mais lado nenhum porque nada vão encontrar. Estou consciente de que corro o perigo de ir parar a Custóias dado que o crime da lagosta no mínimo deve dar prisão preventiva. Já se viu que para ficar com termo de identidade e residência basta apenas fazer um desfalque a um banco.
A propósito de banco, segunda feira vou levantar os tustos que ainda tenho num deles porque definitivamente as pessoas que o Banco de Portugal lá meteu não são idóneas para tratar das minhas poupanças. Até prova em contrário… (não é assim que diz a lei?).

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

A MINHA CIDADE - O PORTO

A minha cidade não se chama Lisboa,
não tem cheiro a sul
e nem por ela passa o Tejo,
mas como ela, tem Nascentes
leitosos e marmóreos...
Na minha cidade os Poentes são de ouro
sobre o Douro e o mar
e só ela tem a luz do entardecer
a enfeitar o granito...
Na minha cidade, tal como em Lisboa
há gaivotas e maresia
mas não há cacilheiros no rio
há rabelos
transportando néctar e almas...
Da minha cidade nasce o Norte
alcantilado, insubmisso
e o sol, quando chega, penetra-a
delicadamente, carinhosamente,
depois de vencido o nevoeiro...
Na minha cidade também há pregões,
gatos, pombas, castanhas assadas e iscas
e fado pelas vielas, pendurado com molas,
como roupa a secar nos arames...
A minha cidade tem também tardes languescentes,
coretos nas praças
velhos jogando cartas em mesas de jardim
e o revivalismo de viúvas e solteironas
passeando de eléctrico...
É bem verdade que na minha cidade
a luz, não é como a de Lisboa
mas a luz da minha cidade
é um frémito de amor do astro-rei
a beijá-la na fronte, cada manhã!...

domingo, 25 de outubro de 2009

POEMA DO DOMINGO

Aos domingos as ruas estão desertas
e parecem mais largas.
Ausentaram-se os homens à procura
de outros novos cansaços que os descansem.
Seu livre arbítrio alegremente os força
a fazerem o mesmo que fizeram
os outros que foram fazer o que eles fazem.
E assim as ruas ficaram mais largas,
o ar mais limpo, o sol mais descoberto.
Ficaram os bêbados com mais espaço para trocarem as pernas
e espetarem o ventre e alargarem os braços
no amplexo de amor que só eles conhecem.
O olhar aberto às largas perspectivas
difunde-se e trespassa
os sucessivos, transparentes planos.

Um cão vadio sem pressas e sem medos
fareja o contentor tombado no passeio.

É domingo.
E aos domingos as árvores crescem na cidade,
e os pássaros, julgando-se no campo,

desfazem-se a cantar empoleirados nelas.
Tudo volta ao princípio.
E ao princípio o lixo do contentor cheira ao estrume das vacas
e o asfalto da rua corre sem sobressaltos por entre as pedras
levando consigo a imagem das flores amarelas do tojo,
enquanto o transeunte,
no deslumbramento do encontro inesperado,
eleva a mão e acena
para o passeio fronteiro onde não vai ninguém.

ANTÓNIO GEDEÃO

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

MOMENTO ÚNICO PARA RECORDAR

É só escolher: Carreras, Plácido Domingo e Pavarotti com o Sinatra a assistir. Falta apenas o autor da música : Paul Anka

video

PARA TODOS OS AMIGOS E VISITANTES DESTE BLOG QUE ONTEM ME CUMPRIMENTARAM

O tempo não acrescenta graus a um conhecimento
Apenas assiste,
Como espectador,
Ao seu desenrolar.
Se ele vai enfraquecendo,
Sopra-lhe e espalha o que resta
Nalgum poente.
Se ele cresce,
Dá-lhe a mão
Guarda-o no coração
(a memória é o coração do tempo)
E torna-o permanente.

GM

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

COMECEMOS PELA MÚSICA QUE É SEMPRE SINAL DE FESTA

20 DE OUTUBRO

Faltam 72 para acabar o ano.

É um dia que tem muito a ver comigo. Segundo a Wikipédia , é o dia do Profissional da Informática. Não que eu seja profissional da matéria, mas ando tanto pelo computador que já estarei a caminho de o ser. Isto quando não avario o bicho ...

Mais interessante ainda é que hoje se celebra também o Dia do Poeta . Não que eu seja poetisa, mas gosto muito de poesia e de escrever sobre os meus voos interiores de uma forma que se assemelha à poesia. Se não o sou ainda, acho que já estarei a caminho de o ser .

Na mitologia gaulesa este é o dia em que se celebra a Dama do Lago ou Fada Viviane, como é mais conhecida e que, de acordo com a lenda, era uma das sacerdotisas de Avalon ou até a mais importante delas. Filha de Diana, a deusa dos bosques, a Dama do Lago tinha a missão de proteger e entregar a espada mágica, a sagrada Excalibur, ao Rei Artur. Tenho Lago no meu nome e toda a minha vida também corri atrás de um Graal. E a minha mesa é redonda, uma verdadeira Távola Redonda. Por isso acho que estarei no bom caminho para ser a reincarnação da Dama do Lago.

E para além de tudo isto este é o meu dia, porque é aquele em que nasci … (não digo há quantos outonos). Mesmo que a minha celebração seja mais interior do que exterior, acho que estou no bom caminho para merecer um dia especial.


Um pedido de desculpa à Blu por lhe ter copiado a foto, mas eu precisava mesmo de um por de sol outonal animar este texto

Etiquetas: ,

DIA DE ANOS NAS LETRAS DE UM POETA

Com que então caiu na asneira
De fazer na quinta-feira
Vinte e seis anos (1)! Que tolo!
Ainda se os desfizesse...
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito miolo!

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado...
Agora o que vem, aposto,
Como lhe tomou o gosto,
Que faz o mesmo? Coitado!

Não faça tal: porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho:
Faça outra coisa: que em suma
Não fazer coisa nenhuma,
Também lhe não aconselho.

Mas anos, não caia nessa!
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira,
Mas depois se se habitua,
Já não tem vontade sua,
E fá-los queira ou não queira!

João de Deus

(1)Hoje é terça feira e eu já fiz 26 anos há tempos

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

ELA MERECE BEM ISTO. MÁ CRIAÇÃO TEM LIMITES

Leiam com atenção porque é uma das melhores repostas a Maitê Proença

http://fredscp.blogspot.com/2009/10/maite-amiga-estas-perdoada-garota.html?spref=fb

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

ESTA FICA MUITO BEM AQUI

UM VERÃO QUE NÃO QUER PARTIR

É de paz este fim de tarde de um Outono
A lembrar um Verão que não quer partir.
As pessoas misturam-se com as gaivotas na praia
Buscando algum fresco para os corpos suados
Enquanto as crianças (vindas da escola)
Reerguem na areia castelos derrubados.

Na marginal, casais de namorados
Esperam pelo poente que se adivinha
Ainda com cores estivais.
Realmente é de paz este fim de tarde de Outono
Mas também um momento de abandono
Para o amante sozinho
Que, de olhar perdido e ar dolente,
Se limita a ver desfilar à sua frente,
De mãos dadas ou corpos abraçados,
A imensa vaga do resto dos mortais.

GM
Foto extraída de http://sfraa.blogsopt.com

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O QUE DISTINGUE AS PESSOAS

De um amigo brasileiro, a propósito do desconcertante episódio protagonizado pela artista de Telenovelas Maitê Proença,recebi o seguinte email:

Caros amigos Portugueses ,
Foi como muita tristeza que vi as cenas que infelizmente traduzem todo o deboche de boa parte dos "artistas" brasileiros para com os nossos irmãos portugueses.
Isso não para mim não foi surpresa. A verdade precisa ser dita: grande parte, talvez 90% dos artistas brasileiros (cantores,atores e afins) só vão a Portugal encher os bolsos de euros o que lhes é bastante rentável diante da valorização dessa moeda sobre o Real. A imensa maioria não nutre o menor sentimento de afeto por Portugal ou pelos portugueses.

Em meu nome e em nome da minha família que sem exceção adoramos Portugal, as nossas desculpas pelo gesto dessa inconsequente.
No entanto, tenho a certeza de que nada abalará os sentimentos de amizade daqueles que gostam do Brasil, gostam dos brasileiros e nós do lado de cá podemos afirmar que a recíproca foi, é e será sempre verdadeira.
Um abraço a todos!
Luciano Matoso.

Vejamos agora o pedido de desculpas dela hoje na SIC Noticias:

http://sic.sapo.pt/online/video/informacao/noticias-pais/2009/10/maite-proenca-pede-desculpas-aos-portugueses.htm

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

UMA CANÇÃO DA MINHA VIDA

terça-feira, 6 de outubro de 2009

UMA EXPLICAÇÃO DA ESCOLHA ABAIXO

O autor do poema da canção abaixo, que é o símbolo deste blog,foi Alexandre O'Neill e o da música Alain Oulman.O CD em que se encontra inserida denomina-se - Amália/Vinicius - da Editora Valentim de Carvalho. A sua gravação foi realizada em casa de Amália Rodrigues em Dezembro de 1968 num serão com Vinicius de Moraes, Natália Correia, José Carlos Ary dos Santos e David Mourão-Ferreira. Que luxo de assistência e elenco!!!

GAIVOTA

UM NOVO NASCIMENTO

O homem ultrapassa a morte
Tal como uma planta
Que passado o seu apogeu
Mesmo maltratada,
Pisada,
Desfeita em pó,
Ressurge plena
Numa nova planta
Que desperta
No que da outra restou.

Isso anuncia Esperança
Porque supõe
Que da morte resulta sempre,
Qualquer que seja a forma,
Um novo nascimento.

GM

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

PELOS AUTORES, PELA CIDADE, MAS SOBRETUDO PELA FADISTA

domingo, 4 de outubro de 2009

ESPERAR

Odeio esperar
Viver o tempo
Em que um minuto são horas
E nada acontecer
Ou ninguém aparecer.
Contudo descobri
Que tenho uma estranha facilidade
Em esperar.
Claro que fico irritada
Se o que quero demora
Mas por estranho que pareça
Em vez de expressar o que sinto
Correndo para a janela,
Dedilhando o telemóvel
Ou berrando: “que chatice,só a mim isto acontece”
Fico apenas sentada
E para não sentir o tempo
Que se escoa sem parar
Pego na palavra esperança
Embalo-a até dormir,
Se o sono encurta o tempo
E é polvilhado de sonhos.
Nada como sonhar
Que acabou o esperar.

GM

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

SE FOSSE VIVA ASSIM CANTARIA INÊS A PEDRO