sábado, 30 de maio de 2009

MAIS UMA VEZ, A SAUDADE DE VILAR DO PINHEIRO - O SÓTÃO

O texto que se segue foi escrito por uma das meninas que tiveram a felicidade de passar férias na Casa de Vilar do Pinheiro:

"(...) nunca mudou o gosto pelas férias em Vilar do Pinheiro. Começaram as paixonetas da adolescência. E aí as idas ao mirante já não eram o que tinham sido! Se as tias não fossem até calhava bem!... As que não tinham namorado gostavam de ir até lá ver os meninos a passarem em bons carros (na estrada porto - Vila do Conde) e, se fossem de sport, ainda melhor!
Ao grupo das primas veio juntar-se a Isabel Carvalho. Mais tarde começou a vir a Xinha, só passar alguns dias. Houve um ano que até a Dina, uma minha prima, veio. Já não havia espaço que chegasse para dormirmos todas e assim nasceu, no sótão, o quarto das meninas. Divãs com colchas de escocês azul escuro, verde e amarelo, em flanela, que mais pareciam mantas de fazenda inglesa, à séria! Uma "coiffeuse" em serapiheira amarela, com o tampo em escocês, um banco e um espelho forrados do mesmo, que ficaram uma autêntica beleza! Para tornarmos mais confortável o ambiente, mandámos tingir de amarelo, um cobertor de papa, que lá havia e que colocámos em frente da "coiffeuse".
Transformámos o sótão num quarto digno de revista de decoração, ao nível do "Querido mudei a casa"! Fizemos dele o quarto que nenhuma de nós podia ter em casa:
Colocávamos tudo o que queríamos nas paredes, fumávamos (só algumas), deitávamo-nos em cima das camas onde devorávamos revistas de "Amor a metro" (as fotonovelas), trazidas na maioria pela Isabel.
Na altura , o JP Grasset, um jovem pintor, apaixonadíssimo pela Xanda, quis contribuir com uma mais valia para o nosso sótão e pintou um simples armário de pinho transformando-o numa obra de arte. Mais tarde demos ao nosso sótão o nome de "Retiro das Traves" que foi gravado a fogo numa tábua de madeira . Lá quase só se ouvia fado marialva. O Vicente da Câmara, a Maria Teresa de Noronha e o D. Hermano da Câmara, o nosso ídolo pelo "Fado da despedida" composto antes da sua ida para o convento.
Quantos sonhos vividos naquele sótão! Quantas desilusões e quantas lágrimas choradas por desgostos de amor! Quantas confidências até altas horas da noite! Mas, também, quantos projectos ali feitos mas que não se tornaram realidade! Se aquelas paredes falassem muito teriam para contar!
Aprendi, muito mais tarde que, na casa de cada pessoa, a zona do sótão, representa o espaço do sonho, da fantasia, da aventura, do mistério, das recordações. Aquele desempenhou bem as suas funções. Hoje, revivendo o passado, tenho a certeza que o sótão de Vilar de Pinheiro foi o espaço onde vivi (vivemos, digo eu) os momentos mais bonitos e mais significativos da minha (nossa) juventude e, por isso, o recordo com muita saudade(...)

GAIVOTA DO FOCO

quarta-feira, 27 de maio de 2009

ISTO É UMA BELA FORMA DE FALAR DE ROMARIA

segunda-feira, 25 de maio de 2009

POR CAUSA DO SENHOR DE MATOSINHOS DESAPARECI. VOLTEI PARA DIZER OLÁ E VOU FUGIR NOVAMENTE

Da cidade da virgem os dois
Nós viemos à dias para cá
A viagem foi bom mas depois
Ninguém viu o que a gente viu já

Dizem que lá por Lisboa
A vida é boa, boa vai ela,
Mas só se vêem p’las ruas
Catraias nuas, larilolela.

Por isso como em Paranhos
Há paus tamanhos que é de espantar
Na Baixa ou no Arrebalde
São de ramal os paus no ar

Ó Senhor dos Matosinhos
Ó Senhora da Boa Hora
Ensinai-nos os caminhos
P’ra sairmos daqui p’ra fora!

Santo Antoninho da Estrada
Não digas nada de tudo isto
Quinté já sinto agonias
Das porcarias que tenho visto

Ontem ao descer a avenida
Vi uma atrevida de perna à bela,
Quis-me agarrar à mãozinha,
mas coitadinha, levou com ela!


Ó Senhor dos Matosinhos
Ó Senhora da Boa Hora
Ensinai-nos os caminhos
P’ra sairmos daqui p’ra fora!

Infelizmente não encontrei o video para animar mais esta mensagem. Se alguém souber dele, agradeço que mo enviem

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domingo, 17 de maio de 2009

A CHUVA ESTRAGOU O DOMINGO À MIMI. MAS ESTÁ LINDA A POESIA...

E... volta a ser Domingo

Meu corpo
tombado
sobre as pedras do silêncio
Grossas pingas de chuva
me afagando
Meu olhar parado distante
Emergindo daquele
descanso forçado
Rosas
Desfolham-se
sobre o meu corpo inerte
Um sorriso doce em meus lábios
sinto
E, amanhã
É outro dia
E o esquecimento
volta ao meu corpo tombado
E sou o que sou
Sem mais reparos

MC

A PEDIDO DE UMA GAIVOTA QUE VOOU DO FOCO ATÉ À BEIRA-MAR

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sábado, 16 de maio de 2009

NEM SÓ A CARA ENCOSTADA ERA MODA. OUTRAS DANÇAS TINHAM ÊXITO E ERAM BEM AUDACIOSAS

Isto explica porque todos nós eramos uma elegância há 50 anos



video

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quinta-feira, 14 de maio de 2009

PARA COMPLETAR A POESIA

SAUDADES DO MAR

Hoje eu fui ver o mar
Há quanto tempo eu não o via!
Há tanto
Que quando caminhava
Tive receio de já não o reconhecer.
Mas fui,
A medo
Pensando que ele iria estar diferente
Ou até já não existisse
Claro que esta última premissa era falsa.
Se eu existo é porque estou na terra
E a terra para ser terra
Tem de ter o mar.

Não me aproximei.
Vi-o de longe
Para que ele não me visse a mim.
Como o mar deve estar zangado comigo
Julgando que eu o esqueci!

À distância a que fiquei
Via-o, mas não o sentia
Talvez porque era maré baixa
E ele, calmo,
Vinha morrer silencioso
Espraiando-se na areia.

A minha ânsia dele
Pedia um mar agitado,
A saltar o esporão
Derramando a espuma nas rochas
E apagando com o estrondo
Da queda da água
O grasnar rouco das gaivotas.
O que respeito no mar
E mo faz amar
É a sua força telúrica.

Hoje finalmente eu fui de novo ver o mar
Mas não matei as saudades
Porque ele se escondera de mim.


GM

terça-feira, 12 de maio de 2009

PARA UMA ÍNTIMA NOÇÃO DE TEMPO

Respondendo, humildemente, à GM

Tempo

Era o tempo
Sem tempo
Que eu esperava
Era o sol
Era a luz
Era o riso
Eras tu
Com que sonhava
Nos dias de tempo
Sem tempo
Que eu esperava
Eram abraços
E beijos
Que eu queria
E
Esperava
No tempo
Sem tempo
Sem vento
Sem lágrimas
Era poema
Era teu tempo
Era eu
Eras tu
Sózinhos
No tempo
Que eu tanto
Queria

Mas o tempo
Sem tempo
Só na eternidade


Mas eu quero
Mas eu espero

MC- dez/ 2003

BOA SUGESTÃO, GRACINHA

segunda-feira, 11 de maio de 2009

LEMBRA-TE DE MIM - numa versão mais pessoal

Devagarinho a música surgiu
No horizonte vermelho do final da tarde
Com um assobio que sabia a sedução.
Aos poucos o ritmo acelerou
Num convite para dançar.
Um olhar solto transgrediu as regras
E encontrou-se com outro
Que o esperava com o silêncio
Natural de um encontro desejado.
Mansamente os corpos juntaram-se
E deslizaram num espaço que não existia
E num tempo que não sentiam…
Aos poucos a música foi retardando os compassos
Mas não a força que unia os corpos.

Quando se afastaram no último acorde
Ambos os olhares cruzaram-se no mesmo desejo:


Lembra-te de mim...


GM

A PEDIDO DA GAIVOTA MIMI - UMA DAQUELAS MÚSICAS DE DANÇAR SEM SAIR DO SÍTIO

domingo, 10 de maio de 2009

A PRIMEIRA CONTRIBUIÇÃO PARA A " DANÇA DE CARA ENCOSTADA"

Nada como eu lançar um desafio para ter logo alguém a responder. Achei a poesia tão linda, MC, que tinha de a tirar de comentários e dar-lhe um lugar de primeira fila. Beijinhos e bom domingo

E....como os bailes eram ao Domingo -aqui vai

Era o azul dos teus braços
que eu queria
Era o azul do céu
que nos cobria
Era o azul o azul das águas
que mergulhamos um dia
Era azul
todos os dias

Era
Domingo

E tudo era azul
o que eu via


mc

sábado, 9 de maio de 2009

DANÇAR DE CARA ENCOSTADA


Há dias, mão amiga enviou-me uma interessante apresentação sobre os tempos em que uma certa geração fazia bailes de garagem, nos salões de bombeiros ou de outra qualquer agremiação que tivesse espaço. Se não havia dinheiro para um conjunto, montava-se uma aparelhagem, um grupo levava os últimos êxitos discográficos, as meninas estabeleciam as multas para o lanche ou ceia (dependendo da hora do dia ou da noite) e escolhiam os vestidos mais bonitos, os rapazes enfiavam os fatos mais aparelhados ao corpito e lá se fazia um baile sob o olhar atento das mães que espiavam todos os gestos e atitudes pseudamente indecorosas para proteger as crias. Contudo rapidamente se punham todas na conversa e nós aproveitávamos para nos entregarmos ao embalo da música em voga, que puxava para o estilo do "constituir família", e caras (e por vezes corpos) bem encostados, lá deslizávamos pelo salão, convenientemente polvilhado por ácido bórico, um pó que se punha no soalho para facilitar os movimentos. Esses momentos eram únicos e bem aproveitados numa época em que os namoros eram muito criticados e até escolhidos pelos pais que não por nós.

Como exemplo dessas festas aqui vos deixo abaixo uma dessas canções que eram mesmo feitas para dançar de cara encostada.
Se quiserem sugerir outras, é só mandarem os títulos ou o nome dos intérpretes que as tentaremos encontrar.

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PARA RECORDAR

quinta-feira, 7 de maio de 2009

AOS FELIZARDOS DOS SETEMBROS EM VILAR DO PINHEIRO

SETEMBRO


Eram belas aquelas tardes de Setembro,
as últimas das férias,
em que o sol brilhava
e cada um de nós tinha um lugar próprio
no meio de todos.
Os nossos pensamentos,
cheios de pequenos nadas,
enchiam-nos a alma
e escreviam FELICIDADE
nos nossos corações.
Com as flores
Desenhávamos mensagens
Numa espécie de código
Que só nós entendíamos.

Eram belas também as noites de Setembro
Em que contávamos estrelas
Enquanto palmilhávamos o caminho
Demarcado pela luz dos pirilampos.
Então as nossas lágrimas nunca eram de tristeza.
Eram lágrimas de amor
Só chorávamos porque éramos felizes.

Agora continua a haver Setembro
Com o mesmo sol e as mesmas estrelas.
Só que já não é o nosso Setembro.
No de hoje há muitos lugares vazios
E os nossos sorrisos são feitos de saudade
Não só pelos que partiram
Mas também pelos que ficaram,
Mas se perderam dos nossos dias.

Contudo
Onde quer que estejamos
A lembrança dos nossos Setembros
É como se o antes tirasse lugar ao depois,
Voltássemos a ser jovens
E estivéssemos juntos outra vez.

IL

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