quinta-feira, 13 de setembro de 2007

FILMES DE CULTO


Já que vos impingi há dias uma abordagem às minhas músicas de culto, hoje vou aproveitar a onda para vos falar dos meus filmes de culto. Tal como aconteceu com as músicas, guardo religiosamente a recordação de alguns filmes até porque as novas tecnologias, ao possibilitarem a sua digitalização, nos facilita podermos tê-los em casa e revê-los sempre que assim o quisermos. E quando não os compramos há sempre um clube de vídeo por perto onde os podemos arranjar. Claro que os que me marcaram na infância foram alguns que revi posteriormente com as minhas Filhas e netos: “A Branca de Neve e os 7 anões”, a “Gata Borralheira” e a “Alice no país das Maravilhas”. Este último nunca o consegui ver com as filhas porque a primeira e única vez em que as levei desataram num choro tão aflitivo, quando a Alice se despenhou no corredor tendo-se perdido da mãe, que tive que as tirar rapidamente da sala. Claro que elas nem pensaram em mostrá-lo aos filhos. Àqueles sucederam-se os Zorros e as coboiadas que víamos em grupo no velhinho Constantino Nery, por entre assobiadelas e algumas palavras indecorosas gritadas pela restante assistência. Por volta dos meus 10 anos, maravilhei-me com um filme a que assisti várias vezes porque tinha uma pena enorme do miúdo que era o centro da história. Chamava-se ele o “Pequeno Lorde”. O meu gosto em revê-lo era originado pelo ar de felicidade da criança ao encontrar a mãe. Seguidamente, maravilha das maravilhas, apareceu na minha vida a 2ª versão das “Mulherzinhas”, já a cor. Mais tarde tive a oportunidade de ver a 1ª, a preto e branco, e a 3ª, a mais afastada da história original e que eu li, reli e treli e sou capaz de voltar a ler. Com a adolescência e a idade adulta e o grande crescimento da indústria cinematográfica assisti a centenas de filmes. É impossível falar dos que mais me tocaram. Desde “ E tudo o vento levou”, ao “Gigante”, a todas as grandes produções de temas históricos e bíblicos, passando por musicais fabulosos que me faziam sonhar um dia ser também um grande bailarina ou cantora, via tudo que havia para ver. Até o Ingmar Bergman todinho. Um dia fui assistir a “O sétimo selo” deste cineasta com um grupo de colegas da Faculdade. Pelo que nos tinham dito era muito forte. Fizemos uma aposta que ganharia quem aguentasse até ao fim. Fiquei apenas eu (não me perguntem porquê?). No meio de todas estas grandes produções tínhamos as nossas bem portuguesas: “O Costa do Castelo”, “A Canção de Lisboa”, “A Aldeia da Roupa Branca” e tantos outros que ainda hoje revemos com prazer. Os anos passaram. A indústria cinematográfica foi mudando. A Televisão entrou-nos pela porta dentro e se nos facilitou o acesso ao cinema também nos mergulhou num mundo de violência. Eu fui ficando mais sentimental e com menos paciência para momentos fortes. Entre tanta escolha tive que estabelecer critérios. E estes passaram a ser: o argumento, a representação e a banda sonora. Isto para além dos românticos, aqueles em que choro mesmo, ou os que me façam rir. Nada como um domingo à tarde, deitada no sofá, a ver pela enésima vez o “Orgulho e Preconceito”, “ Uma Mulher de sonho” com o Richard Gere, “As palavras que nunca te direi” com o Kevin Costner (2 actores que apesar da idade continuam um bálsamo para os meus olhos) e a Júlia Roberts em “Nothing Hill “ ou no “Casamento do meu Melhor Amigo”. Claro que não são filmes dos ditos intelectuais, profundos, temáticos. Só que com os filmes passa-se o mesmo que acontece com os livros: há os que se lêem uma vez e os que se guardam para sempre. E, como me costuma dizer uma senhora minha amiga, que é uma leitora apaixonada, mas de fracos recursos económicos, que vive num lar da terceira idade e a quem eu ofereço muitos dos meus livros, daqueles que eu não tenho já onde guardar ou não o quero fazer: “Os livros são como os filmes. São bons quando nos fazem sonhar”. Convençam-me que ela não tem razão. Por isso esses são hoje os meus filmes de culto.

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